segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

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é quando me entras
vida e vento
portas adentro
olhos de busca
braços de mar
iluminando
com teu sorriso
móveis e plantas
quadros e salas
que eu me revolvo
me envolvo e me dou

é quando me tomas
flores e pedras
e me consomes
em labaredas
gritos e beijos
ferro em brasa
manso caminho
que eu me liberto
sangro e arranho
sou por inteiro

pequeno animal


(Sérgio Napp)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Contra-padrão


O que me intriga é que as pessoas ainda não estão preparadas para conviver com o diferente...
Todo aquele que tem alguma dificuldade, que não faz parte de um “padrão social aceitável”, todo aquele que tem um gosto exótico, todo aquele que tem um talento incompreendido... enfim, todo aquele que tem um traço distinto. Todos esses são expostos à lâmina de olhares maldosos, à balbúrdia de deboches, ao espetáculo de comentários depreciativos, ao festival de julgamentos tortos. E tudo isso por quê? Por quê?
Por que é difícil e desconfortável se adequar ao diferente? O problema é se alinhar às mudanças? Ou talvez, é egoísmo mesmo... Egoísmo em achar que o que é certo e deve ser preservado é o que faz parte desse mundinho ilusório e bonitinho que se cria?
Ou, na verdade, é coagindo e humilhando essas “pessoas diferentes” que se acha instintivamente a oportunidade de reforçar a autoconfiança. Afinal, quem não é o suficientemente seguro de si, algumas vezes apela para violência moral e emocional para se autoafirmar, para ver o quanto é “respeitado”. Ah, mas de repente...  “esses seres diferentes” sejam apenas um bode expiratório, um lixo emocional onde as pessoas jogam todos seus recalques...
Impressiono-me... fico espantada com essa falta de empatia e mesmo de respeito e gentileza. Porque cada palavra lançada, cada riso de escárnio pode machucar muito, pode tecer traumas, medos, bloquear talentos e força, pode despedaçar vidas e sonhos... e tudo por quê? Por que alguém disse, que o costume disse, que a tradição disse, que a lei da vida disse,  que o “mundo” disse que ser diferente é ruim.
O que me intriga é que as pessoas ainda não estão preparadas para conviver com o diferente... Não estão preparadas para perceber que todos, absolutamente todos têm traços singulares e que ninguém consegue ser igual a outro. Parecido, talvez. Igual, nunca...
Agora me pergunto: imagina se todo mundo pensasse igual? Não existiria Arte, porque viveríamos em crises criativas e mesmices. Não existiria filosofia, porque não haveria questões em aberto para serem refletidas. Até mesmo a ciência sofreria com isso, porque depois de solucionado o problema padrão tudo seria uma receita de bolo. Ah... evolução humana!
Agora, cuidado, muito cuidado ao sair na rua! Há muitas pessoas diferentes... ah... mas pode ser muito pior, talvez você é quem seja o diferente...


(Michelle C. Buss)

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Silêncio Das Estrelas - Lenine

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais...
Afinal, como estrelas que brilham em paz, em paz...
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais...




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