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domingo, 8 de novembro de 2015

Renúncias

Renunciei o universo,
os céus,
as estrelas,
os deuses,
o vinho,
as posições políticas,
o egoísmo,
e anunciei o amor.

(Gabriel Silveira)


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Evoé
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Não me deixe sozinho.

Não me deixe sozinho.
Não, por favor, não me deixe sozinho!
Eu preciso de alguém, eu preciso que me ensinem a usar computadores, eu preciso que me ensinem a atualizar minhas redes sociais a cada 2h. 
Por favor, não me deixe sozinho! Eu não seria capaz de me instagramear sozinho, afinal eu não sei tirar selfs. Por favor, não me deixe antes de me ensinar como colocar gifs no Facebook.
Pela manhã, eu devo mandar o que mesmo nos grupos? É bom dia? É Olá? É o que? Por favor, me ajuda.
Não me deixe sozinho no meu vazio existencial! Eu preciso que as pessoas me curtam, me compartilhem, eu preciso expor meus sentimentos através de emotcons! Eu preciso urgentemente que alguém diga que a foto esta linda mesmo estando tremida. Eu preciso que alguém me diga como pensar! A TV? Eu cansei da TV e a Internet é meu novo cérebro! Na TV eu não tinha atenção, as pessoas não ligavam para mim. Na Internet eu tenho seguidores, na Internet eu tenho fãs, eu sou sexy, eu sou invejado, eu sou perfeito.
Então, por favor.
Não me deixe sozinho antes de me ensinar como me isolar do mundo usando a maior ferramenta de conexão que já inventaram!
   

Gabriel Silveira


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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ah no meu tempo.

No meu tempo a gente se falava pelo celular com todo mundo, inclusive se morássemos juntos
No meu tempo vídeo games de 4 mil reais eram mais importantes do que as pessoas que passavam fome
No meu tempo os carros dormiam sob um teto e as pessoas passavam frio
No meu tempo nós não brincávamos na rua, brincávamos dentro de casa
No meu tempo policial era muito mal pago, portanto não tinha segurança para andarmos na rua
No meu tempo não importava muito a saúde, bom mesmo era comer salgadinhos
No meu tempo a gente não sabia cozinhar, a gente esquentava no micro-ondas
No meu tempo aqueles que se exercitavam, não faziam por saúde e sim por vaidade,
No meu tempo a gente se conhecia através de um aplicativo e ia para a cama no mesmo dia
No meu tempo a gente preferia fazer sexo pela web cam, para não sair de casa
No meu tempo a gente não saía para ir no cinema, víamos filmes no Netflix
No meu tempo eu sabia o endereço de email e não da casa das pessoas
No meu tempo ler mais do que 140 caracteres era muito difícil
No meu tempo todos podíamos ter opinião e liberdade para sermos quem quisermos, mas mesmo assim alguns apanhavam com lâmpadas nas ruas
No meu tempo a gente não tinha tempo para nada, mas perdia muito tempo em redes sociais
No meu tempo eu podia falar com pessoas de todo o Planeta, mas não significa que no meu tempo, havia humanidade...
 
(Gabriel Silveira)

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Hipocrisia

- Maconha, cocaína, crack, hoje vocês jovens só sabem se drogar! – diz a senhora
- Verdade vó. Comprei e deixei o prozac e o rivotril sobre a mesa. Não esquece de tomar tá?

(Gabriel Silveira)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Saia Justa

 Andando juntos rindo
- Vocês formam um lindo casal – bajula uma senhora.
- Não... Não somos um cas.. – Interrompe quando ela pega na mão dele
- Muito obrigado! Eu o amo!
Aproveitar as oportunidades era uma especialidade dela.

(Gabriel Silveira)


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Efémero

Sou um colecionador de experiencias efêmeras,
tudo que é curto, passageiro, breve, sucinto, parece que foi feito pra mim.
Coleciono paixões de elevador, poesias de ônibus, olhares de transito,
não importa o que for, se for breve, é meu.

(Gabriel Silveira)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Pedras

João sempre lutou muito
Muitas pedras no caminho. Tropeçava. Levantava. Continuava
Tropeçou tanto que um dia parou. As fumou.
As pedras não eram mais problemas. Mas também não foram a solução.

(Gabriel Silveira)

domingo, 16 de agosto de 2015

Rei dos sonhos

Acordando meio zonzo me deparo no deserto de fronte com o rei de espadas,
me falando que meus sonhos não se realizariam até que eu eliminasse meu maior obstáculo,
o perguntei qual o era, e ele apontou para o Norte,
que lá o encontraria, e teria que decidir vence-lo ou desistir dos meus sonhos,
corri em direção ao Norte com todas as minhas forças até que em certo momento,
brilhou no céu uma estrela de seis pontas, erguendo um espelho colossal da areia até os céus,
me deparei, olhando para a minha própria imagem,
desde então decidi me vencer todos os dias,
para enfim eu realizar todos os meus sonhos.

(Gabriel Silveira) 

sábado, 15 de agosto de 2015

Casa de poesia

Entra, tira os sapatos, eu meio que arrumei aqui,
se quiser  tem uns versos na cozinha para tu te alimentar,
livros na sala com uma lareira pra tu te aconchegar,
chocolate quente na varanda para as estrelas apreciar,
mas a poesia se faz em outro lugar,
no meu quarto, na cama, tu não pode me julgar,
tu sempre amou poetizar.

(Gabriel Silveira) 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Bélica

A vida é bélica sim!
Mas ninguém falou que as armas tem que matar, as armas podem muito bem serem municiadas com flores e beijos, e podem muito bem saírem da tua arma, apontada para meu coração, porque se vamos morrer, quero que seja de amor. 

(Gabriel Silveira)

domingo, 9 de agosto de 2015

Valores

Na universidade um jovem começa a falar:
- Mas o socialismo...
Um professor de história o interrompe:
- Tá, tá! Mas me diz, quantos zeros em um cheque são necessários para calar tuas ideologias?

(Gabriel Silveira)

sábado, 8 de agosto de 2015

(Des)umanidade

Seja com meus fones de ouvido,
ou com meu livro,
com minha cara fechada,
ou revista comprada,
com meu tablet do trabalho,
ou no celular compenetrado,
eu juro solenemente nunca interagir com outro ser humano,
onde quer que eu esteja.

(Gabriel Silveira)