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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Da poesia, Luís Serguilha


Luís Serguilha é poeta português, dono de uma poética e sensibilidade fantásticas. Depois de conhecer um pouco de seus poemas, fiz a promessa a mim mesma de reservar um texto para ele. Enquanto não tenho em mãos o livro Kalahari, compartilho com vocês uma entrevista que encontrei no Youtube, em que Serguilha fala sobre a criação poética.
"Eu não escrevo para ninguém, escrevo para outros de mim mesmo", disse Serguilha. Tomando essa pequena afirmação, imagina toda riqueza de explanações que vem a seguir...

"Poesia é energia que mergulha na obscuridade do mundo, é uma substância oculta do mundo."
"A poesia desoculta o homem (...) a poesia liberta o homem."


PARTE 1 da entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=CeI7d0wzKn8 

PARTE 2 da entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=iAjZ9z8VSKk

PARTE 3 da entrevista:
https://www.youtube.com/watch?v=Fdq4vDm0g-A


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O poeta, ensaísta e crítico Luís Serguilha mantém a seguinte página: http://luisserguilha.com.br/
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ARTE VISUAL: A partir de Wassily Kandinsky,
Uma paródia de “A favor e contra”(1929)


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domingo, 20 de julho de 2014

A Cruz de Brighid


Brighid também conhecida por Brigit, Bríde, Briget, Briid é uma Deusa muito popular na Irlanda. A palavra "Brig", em irlandês arcaico, significa força, poder. A popularidade dessa deusa é tamanha que o catolicismo acabou por canoniza-la, surgindo então a Santa Brígida de Kildare.
Tanto a deusa como a santa carregavam consigo a famosa "Cruz de Brighid", que é feita da palha de trigo, poderoso símbolo solar. Essa cruz é fixada nos telhados e no interior das casas e das portas dos estábulos para proteção das casas e animais.
É dito que nas ilhas Arann (na Irlanda), essas cruzes se conservavam a vida toda, servindo de um dato importante para se deduzir a antiguidade da morada, devido precisamente ao número de cruzes acumuladas.
As cruzes eram confeccionadas de palha de trigo, sendo o entrelaço feito da esquerda para direita, seguindo o curso do sol.

 

Como tanto a santa como a deusa são protetora das mulheres que estão para dar a luz, é um costume comum invocar essa divindade. Em Ulter, quando uma mulher está para dar à luz,  a parteira põe uma cruz de Brighid nos quatro cantos da casa e depois canta os seguintes versos: "Four corners to her bed, four angel at her head. Mark, Matthew, Luke and John; God bless the bed that she lies on. New moon,  new moon, God bless me. God bless this house and family."
Essa cruz também tem ligação com o fogo, com a lareira, com a cura e com a água. Abaixo, uma oração a deusa Brighid.

Brigid, deusa vitoriosa da luz,
Cubra-me com teu manto sagrado, 
Vigie-me sempre com teus olhos, 
Proteja-me com teu cajado, 
De manhã e até anoitecer, 
Por onde eu andar ou estiver,
De dia ou de noite, que eu seja sempre protegida, 
Honrada, acolhida e favorecida, 
Brigid, Deusa poderosa e protetora, 
Fique ao meu lado e seja a minha companheira, 
Minha conselheira, guardiã e defensora! 
 A Naoimh Bhrid Gui Orainn 

(pronuncia-se A Nem Brid Gui Orin que significa “Santa Brigid ore por nós”!)

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terça-feira, 6 de maio de 2014

Festival de Wesak


Durante a Lua Cheia do mês de maio, a Lua de Touro, é celebrado o Festival de Wesak. Esse festival é considerado a celebração máxima do budismo no vale dos Himalias, na Índia, em honra a Siddartha Gautama.
'Wesak' em sânscrito, significa maio. Diz-se que todos os grandes acontecimentos e momentos decisivos da vida de Gautama ocorreram durante esse mês.
Os espiritualistas acreditam que durante o festival de Wesak, as portas de Shambhala são abertas. Shambhala é um local místico citado em textos de diversas tradições do oriente. Esse paraíso encontra-se em algum ponto do deserto de Gobi, ladeado pela China a leste, Sibéria ao norte, Tibete e Índia ao sul, Khotan a oeste. A manifestação de Shambhala diz-se que ocorre a nível etérico e mental, podendo ser penetrada apenas pelos indíduos cujo bom karma o permite. Todavia, durante Wesak, as energias de Shambhala se alinham a todos aqueles que, verdadeiramente, buscam o caminho da iluminação e espiritualidade. Nesses dias muitas pessoas entram em estado meditativo e buscam entrar em sintonia com Shambhala.

Por que a Meditação na Lua Cheia de Touro?

Além de ser celebrado o Festival de Wesak, no período dessa lua há ciclos no fluxo e refluco das energias espirituas, com os quais os grupos, tanto quanto os indivíduos podem conscientemente cooperar. Esse é um tempo mágico em que as canalizações de energia em grupo são potencializadas. Amor, Luz, Paz e Cura são derramadoas por toda esfera energética da Terra, é um momento de expansão de consciência.


 (Escrito para Núcleo Estrela Cristal)


Fontes: http://www.caminhosdeluz.org/A-161.htm 


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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Curtindo Porto Alegre - Agenda Colaborativa da Cidade


Em conversas com amigos, especialmente aqueles que tem algum envolvimento com arte, sempre discutíamos o quão interessante seria se existisse um site que divulgasse os eventos que acontecem na cidade de Porto Alegre. Esse site funcionaria como uma verdadeira agenda, aonde o internauta iria pesquisar, de acordo com a área de interesse, os eventos do momento.
Muito tempo depois, fiquei feliz em saber que existe um espaço virtual com essa finalidade, o Curtindo Porto Alegre. Com um layout super despojado e funcional, pode-se ficar sabendo sobre o que acontece ou está por acontecer em Porto Alegre. Um ponto super bacana é que a agenda é colaborativa, ou seja, qualquer cidadão poderá publicar e divulgar eventos!
Conforme as palavras do Curtindo Porto Alegre:

Curtindo Porto Alegre, é uma agenda colaborativa criada pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, onde qualquer cidadão poderá publicar e divulgar eventos de interesse público na cidade. Aqui você vai ficar por dentro do que rola sobre Artes, Cinema, Comunidade, Educação, Esportes, Feiras, Gastronomia, Meio ambiente, Música, Noite, Teatro, Tecnologia, Turismo.
Este novo espaço virtual tem por objetivo gerar um amplo mosaico das agendas culturais, esportivas, turísticas e educacionais que acontecem em Porto Alegre, reunindo em um só lugar os principais acontecimentos. O bacana é que você vai poder postar um evento, escolher um programa, curtí-lo, compartilhar com seus amigos e ainda ficar por dentro do que está acontecendo na cidade.
Na página inicial, é possível ver os eventos que acontecem em Porto Alegre e também cadastrar o evento que você quer ajudar a divulgar. Você poderá filtrar sua busca por data/horário, tipo de evento, custo e local.
Para incluir um evento ou convidar amigos para participar de alguma agenda você só precisa se conectar com sua conta no Facebook, mas se você apenas quiser saber o que está rolando na cidade, basta navegar pelo site. 


Legal, né?! Agora, para você que está na capital gaúcha ou virá para cá, basta acessar o Curtindo Porto Alegre para ficar por dentro dos eventos.


http://curtindopoa.com.br/


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Revolução dos aromas: como surgiu o perfume

A origem do perfume entrelaça-se com a história da humanidade.
Através dos odores agradáveis que exalavam da queima de madeiras, nossos antepassados primitivos tiveram o primeiro contato com o que se pode considerar o ancestral do perfume.
Árvores como cedro e pinheiro eram queimadas com a finalidade de seu odor agradar aos deuses. Sândalo, canela, mirra, raízes e cascas de outras ervas eram utilizados em rituais sagrados. É da prática dessa queima que vem o nome perfume: do latim Per fumus, ‘pela fumaça’.
A ligação do perfume com o divino estendeu-se por séculos. No Egito Antigo, aproximadamente no ano de 3.200 a.C., efetiva-se a arte de elaborar perfumes. Os antigos egípcios acreditavam que suas preces chegariam mais rápido aos deuses através da nuvem de fumaça aromática que ascendia aos céus. Além disso, os aromas também acompanhavam o rito de passagem de morte, o corpo do morto devia ser conservado tão inalterado e perfumado quanto possível para o encontro com os deuses. Os óleos essenciais eram comumente utilizados no ritual de mumificação, devido as propriedades anti-microbianas, presentes nas essências de mirra, musgo de carvalho, resina de pinho.
 
Pélatas de rosa para extração de óleo essencial.
 
Ainda nesse período, o perfume começa a se ligar a questões que não eram apenas da ordem religiosa, mas também terapêuticas e de higiene. Cleópatra, a última rainha do Egito, transcendeu as funções do perfume, conferindo-lhe o grau de elemento sedutor. Conta-se que Cleópatra untava-se com essências aromáticas dos pés à cabeça, criava em torno de si uma aura perfumada e recebia Marco Antônio em uma cama repleta de pétalas de rosas.
Não apenas o Egito Antigo, mas a antiga Grécia e a Babilônia reconheciam a importância dos perfumes. Os gregos cultivavam a arte de usar óleos perfumados, devido a suas funções medicinais.  A Babilônia, por volta de 650 a.C., era um centro comercial de especiarias e perfumes da época. Os óleos essenciais eram reconhecidos pelo seu poder terapêutico pelos babilônios.
Os romanos, no período imperial, também eram adoradores  de perfume. O gosto por incensos e óleos aromáticos era realmente notável: Roma, durante o século III, transformou-se em capital mundial do banho (um ritual luxuoso que incluia inúmeras sinergias de óleos essenciais). Além disso, dados constam que aproximadamente 500 toneladas de mirra e 250 toneladas de olíbano chegavam a Roma pelo mar. O gosto pelo perfume era tamanho que até mesmo os cavalos eram perfumados…
Um grande passo na perfumaria foi dado pelos árabes, inventores do primeiro alambique, que durante a Idade Média desenvolveram técnicas de destilação, porteriomente aperfeiçoadas pelos italianos.
Durante a Idade Média, a perfumaria silenciou na Europa Ocidental. Condenada pela Igreja Católica, o uso de ervas aromáticas ficou restrito apenas a fins farmacêuticos e medicinais, ou então de ordem religiosa.
 
Seleção de fragrâncias.
O perfume volta aos palcos da história com toda força no ano de 1370, quando a Rainha da Hungria encomendou o primeiro perfume feito com solução alcóolica, era o nascimento do primeiro perfume moderno intitulado de l’eau de la reine de Hongrie. É Catarina de Médicis quem leva à França em 1533 a cultura do perfume. Esposa do Rei Henrique II, Catarina era apreciadora de perfumes, quando se mudou para França, levou consigo seu perfumista pessoal, Renato Bianco, conhecido como René Blanc, le florentin. A pequena cidade de Grasse, localizada no sul da França, onde eram produzidos as fragrâncias de Catarina, converteu-se em capital nacional do perfume. Durante o reinado de Luis XV é criado o conceito de “corte perfumada”. A arte da perfumaria estava em alta, e as cortes eram reconhecidas por seus aromas. Cada nobre, em média, usava um perfume diferente a cada dia da semana. Rosa, violeta e néroli eram os cheiros mais apreciados.
No século 18, cria-se a ideia de que o perfume está ligado a sedução e sensualidade, surgem novas fragrâncias e fracos diversificados.

Frasco de perfume muito usado no século 18.
A primeira fragrância sintética surge no século 19, é o marco da indústria da perfumaria. Ainda nesse período, a França, reconhecida pelas essências e matérias-primas produzidas em Grasse, transforma-se na capital mundial do perfume.
No século 20, os laboratórios revolucionam a arte da perfumaria, com a descoberta das estruturas das moléculas perfumadas. É nessa época que o perfume ganha sua conotação conceitual: inovador, luxuoso, robusto, chique, sensual, sofisticado, elegante e encantador. Ele também se entrelaça a moda e a beleza.
Atualmente, o perfume não é apenas um privilégio de ricos. Com os avanços da indústria da perfumaria, perfumes tornaram-se mais acessíveis. É claro, que o perfume continua sendo um elemento conceitual, um aglomerado de sensações, imagens, estilos e muito mais. Afinal como dizia o filósofo Jean-Jacques Rousseau: “O olfato é o sentido da imaginação”.

Fontes:
Com Ciência
Jorge Roriz


(Michelle Buss) 
 
 
 
* Texto elaborado para o blog:  http://blog.esteticafacil.com/



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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Acraga coa: lagarta transparente

Largarta transparente?? Difícil de acreditar... mas é verdadeira!
Conhecida como Jewel Caterpillar (algo como “Lagarta Joia”), essa lagarta pertence a espécie Acraga coa. Possui aparência translúcida, que funciona como uma forma de camuflagem e cresce pouco, chegando a no máximo 2,5 cm. É encontrada nas florestas tropicais da América Central, América do Sul e Caribe.
Incrível, não é? Parece feita de vidro!


Fotos por Gerardo Aizpuru/Project Noah & David Brownel.

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

A criança em seu mundo (Café Filosófico) - Mário Sérgio Cortella

Conforme o educador Mário Sérgo Cortella, nossa geração está sacando o futuro por antecipação. Vivemos o presente com uma intesidade quase insana, gastamos os meios que permitem a existência de próximas gerações.
Segundo Cortella, nós anunciamos, através de nossos atos, comportamentos e mesmo por palavras, às crianças: "Não haverá futuro, não haverá meio ambiente, não haverá segurança, não haverá trabalho. Vocês não têm presente!"
Os adultos, em geral, estão tão centrados no seu universo particular, na sua ansiedade em viver o presente, que acabam por ter dificuldades de se sintonizar com o mundo da criança que é lúdico, aquele da imaginação, da fábula. Todavia, é preciso quebrar essa barreira, é preciso que nos conscientizamos em criar relações mais próximas com as crianças e saber quais são as suas necessidades e desejos para que possamos formar cidadãos conscientes e atuantes.
Convido a você assistir esse vídeo. Permita-se escutar os argumentos de Cortella e então, refletir, meditar! Que presente, que futuro, que agora você está construindo??



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Árvore Colorida: Eucalipto Arco-íris


Parece obra de um artista plástico ou por que não uma no media... mas não é! O eucalipto arco-íris ou Rainbow Eucalyptus (Eucalyptus deglupta) é uma árvore de tronco colorido, único representante da família dos eucaliptos encontrado naturalmente no hemisfério norte, em ilhas da Indonésia, Filipinas, Nova Bretanha, Sulawesi e Nova Guiné.
Essa árvore, muito utilizada pela indústria de papel, vem ganhando funções ornamentais devido suas matizes. A casca exterior cai anualmente em diferentes épocas, deixando aparecer o verde claro da parte interior, que vai escurecendo gradualmente resultando em tons de azul, roxo, laranja e marrom até amadurecer completamente.
Essa magnífica árvore pode chegar até 75 metros de altura e não há pessoa que não se encante com o efeito de suas cores. 





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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Princesa Tecelã e o Pastor dos Rebanhos



Criada há 4 mil anos e inspiradas nas estrelas Vega (Orihime)  e Altaria (Altair), a lenda conta a história do amor eterno da Princesa Tecelã e do Pastor de Rebanhos.

"Era uma vez, uma única vez na história,no tempo da formação do Universo.O Soberano Celestial(Ten no Ô) ainda estava atarefado em confeccionar estrelas e dependurá-las no firmamento,para brilhar durante a noite.Também as nuvens ainda estavam sendo tecidas e,esta tarefa cabia a bela filha do Soberano Celestial,a princesa Tanabata Tsume.Ela sabia como ninguém,fazer as mais tênues tramas de tecido e justamente por isso,era conhecida como Orihime,a princesa tecelã.
Dia após dia,ela trabalhava sem parar em seu teas.Dele saiam tecidos tão leves e diáfanos,tão finos e maleáveis,que seu pai os pendurava no céu entre as estrelas,por vezes deixando-os cair em pregas até quase tocarem a Terra.Hoje damos a estes tecidos o nome de nuvem,névoa e cortina de nevoeiro,conforme a densidade.
Inteiramente absorvido pela tarefa de formar o céu,o Soberano Celestial orgulhava-se muito da habilidade da filha e a ajuda de Orihime era muito valiosa.Porém um dia,ele percebeu que a Princesa Tecelã estava pálida.E disse:
_ Filha,tens trabalhado tanto que bem mereces um pouco de descanso.Hoje está dispensada de tecer,e pode folgar o dia inteiro.Aproveite para visitar o Amanogawa.Mas não se esqueça de voltar ao trabalho amanhã,pois ainda necessito de delicadas cortinas de nevoriro para as manhãs de primavera,e porção de nuvens brancas para o verão.
Orihimi sentiu-se muito feliz.Há muito tempo desejava caminhar descalça em Amanogawa - o rio celeste,conhecido no sul da margem oposta(brasil) como Via Láctea, e divertiu-se despreocupadamente.Mas até então não lhe sobrava tempo para isso.
A Princesa Tecelã,vestiu seu mais belo kimonoe, correu dançando por entre as estelas do Rio Celeste.No meio da Via Láctea avistou,no meio da correnteza estrelar,um belo jovem com chapéu de caipira,banhando um boi.
-Quem é você,ó bela donzela? -Perguntou o jovem vaqueiro.
- Sou a estrela Tanabata Tsume,filha de Ten o Ô,o Soberano Celestial,mas me chama de Orihime,a Princesa Tecelã,respondeu ela.Também sou conhecida no Hemisfério Sul da Via Láctea com o nome de estrela Vegas.
_ Meu nome estrelar é Altair,o vaqueiro,mas no Extremo Oriente da Via Láctea me chamam de Hikoboshi - se apresentou o pastor de gado.
Daquele encontro casual começou a brotar um sentimento de felicidade,nunca antes sentido por Orihime. Os jovens se divertiram muito,brincando de pega-pega,rindo e correndo no Rio Celeste.Depois a convite do Vaqueiro,Orihime concordou em visitar a casa dele.
Hikoboshi ajudou a princesa montar no boi, e conduziu-a através da Via Láctea em direção ao Hemisfério Sul,seu lar. Lá chegando,se divertiram muito,dançando juntos no prato celeste.Tamanha era a felicidade da princesa que esqueceu completamente as recomendações do pai, e os dias se passaram.
Preocupado com a demora da filha,o Soberano Celestial ficou desesperado.Chamou uma garça e mandou fazer uma busca ,encarregando-a de dizer a princesa que voltasse o mais depressa possível ao Palácio Celeste.A garça avistou a princesa dançando na margem oposta da Via Láctea,e deu-lhe o recado.Porém,Orihime,estava tão feliz,divertindo-se como nunca que não deu ouvidos ao pássaro mensageiro.
Cansado de esperar e muito zangado pela desobediência da filha,o Soberano Celeste foi buscá-la pessoalmente:
_Não destes ouvidos as minhas palavras!- disse o deus do espaço celeste - olha o céu!Ainda falta muito trabalho a ser feito,e ficas aí com namoricos,quando precisamos de nuvens,névoas e cortinas de nevoeiro.Portanto,não poderei mais dispensá-la do trabalho.Tens que voltar ao palácio e continuar a tecer.
E o Soberano Celeste despejou grande volume de água estrelar no Rio Celeste.Então a Via Láctea que era um lago porém raso que se podia atravessar a pé,foi transformado em um rio caudaloso,tantas eram as águas de estrelas que a divinddade celeste havia despejado.
Como a princesa Tanabata e o vaqueiro Altair moravam em margens opostas do Rio Celeste,ou seja, hemisférios opostos da Via Láctea,não havia meio de se encontrarem mesmo às escondidas.Portanto a princesa voltou melancolicamente junto ao tear no Palácio celestePorém,sentia-se tão solitária, e com tanta saudade de Altair,que não conseguia mais tecer.Ficava apenas sentada e chorando incessantemente.Ela havia descoberto que era mais feliz no pobre casebre rural do vaqueiro do que no suntuoso palácio de seu divino pai.
No hemisfério sul,a estrela Vaqueiro Altair,também morria de saudades e passava o dia tocando a sua sanfona e cantando:
Olé,mulher rendeira,Olé,mulher rendá...Tu me ensina a fazer renda,que eu te ensino a namorar...
O vento levava a canção até ao Palácio Celeste,que aumentava a saudade da princesa.De tanto chorar,as nuvens que restavam no céu,desmancharam em forma de lágrimas e depencaram na terra em forma de chuva,
O Soberano Celestial ficou desesperado porque com o volume de chuva caindo,iniciaram-se as inundações na Terra,enquanto que no céu as nuvens foram desaparecendo.Então ele procurou afilha e disse:
_Por favor,minha princesinha,pare de chorar.Necessitamos tanto de nuvens,névoa e cortinas de nevoeiro para manter o equilíbrio da natureza.Por outro lado, se você continuar chorando vai causar um dilúvio universal,e não restará um só vivente na terra para contar a história.Vamos fazer um acordo e acabar com essa greve.Você volta a tecer com diligência e eu te concedo um dia livre por ano para ver o vaqueiro celeste.
Tais palavras devolveram a alegria à princesa,e ela retornou com entusiasmo ao trabalho.E desde então nunca mais parou de tecer.
Mesmo sabendo que no futuro a princesa poderia requerer mais dias de folga,o Soberano Celeste cumpriu fielmente sua promessa.Uma vez por ano,na semana dos imigrantes japoneses,ele envia mil garças(senba tsuru) para o rio Celeste.Com suas asas,elas formam uma ponte sobre as águas estrelares profundas.
Trajando um rico kimono,Orihime atravessa a ponte das Mil Garças e corre alegremente para a margem oposta ao encontro do seu amor Altair,o fiel vaqueiro,que a aguarda ansiosamente.
Ambos se sentem radiantes por poderem ficar juntos durante um dia e uma noite.Dizem que um dia estrelar equivale a uma eternidade terrestre.Por isso o amor dos dois é eterno....."

(Texto de Cláudio Seto, retirado do blog Retalhos)


Inspirado nessa história de amor é que surgiu Tanabata Matsuri ou Festival das Estrelas, comemorado pelos japoneses no sétimo dia do mês sete. Tal celebração teve início na Côrte Imperial do Japão cerca de 1.500 anos e em 1603 converteu-se em feriado nacional. Neste dia festejam o encontro anual da Princesa Tecelã e do Pastor de Rebanhos.
O significado do dia sete no mês sete vem dos costumes Okinawa (província mais ao Sul do Japão) que, assim como a Cultura Maia, consideram a existência de uma relação entre a Lua e o Sol e observam a diferença de um dia entre estes dois calendários:
- A Lua gira em torna da Terra a cada ano 13 vezes em um ciclo de 28 dias, completando um ciclo anual de 364 dias, que dividindo por sete é igual a 52 semanas.
- A Terra gira em torno do Sol num ciclo que se completa em aproximadamente 365 dias.
- A diferena entre estes ciclos do Sol (365 dias) e da Lua (364 dias) corresponde a 1 dia 'neutro'. Dessa forma, o ano teria 52 semanas mais um dia 'branco', ou seja, o Tanabata, sétimo dia do mês sete do calendário lunar!
Abaixo uma canção folclórica do Tanabata ensinada para as crianças:

 As folhas do bambu, murmuram, murmuram,
   balançam as pontas.
   As estrelas brilham, brilham,
   grãos de areia de ouro e prata.
 
 
 
Fontes:
http://lostinjapan.portalnippon.com/2011/07/lenda-do-tanabata-o-festival-das.html
http://aoikuwan.com/2011/07/04/a-princesa-tecela-e-o-pastor-dos-rebanhos/
http://lahainas.blogspot.com/2009/11/tanabata-princesa-tecela.html
 
(Imagens retiradas do site Google)  



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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Amor, Lealdade e Amizade: Claddagh




Claddagh é o nome de um  vilarejo de pescadores situado fora dos muros de Galway na costa oeste da Irlanda. Mas o que torna Claddagh tão famosa não é a vila em si, mas a lenda por traz de um anel cujo o significado tem extrema importância.
Conta a lenda que há mais de 400 anos, na pacata Claddagh, viveu um mestre joalheiro chamado Richard Joyce. 
Antes de tornar-se mestre na arte das jóias Joyce foi pescador. Certo dia, enquanto pescava, o barco de Joyce foi capturado por piratas e seus tripulantes vendidos como escravos a um rico joalheiro Turco. Mas o infortúnio de Joyce não foi apenas a sua captura: exatamente naquela semana ele iria contrair matrimônio com a mulher que amava.
Os anos se passaram e não aconteceu o casamento. Joyce, com o tempo, tornou-se exímio artersão. Sem jamais esquecer sua amada, ele fez um anel de ouro para ela, onde no centro havia um coração que representava o amor, uma coroa que significava lealdade e nobreza e duas mãos representando a amizade.
Transcorrido oito anos Joyce finalmente consegui escapar de seus raptores e então retornar a sua vila. Lá, para sua felicidade, ele descobriu que seu amor nunca perdera a esperança do reencontro. Assim, ele deu o anel que tinha forjado a sua dama e finalmente se casaram.
Dessa forma o anel acabou convertendo-se em um símbolo relevante e carregando consigo o nome da pequena vila.  O anel Claddagh faz parte de um grupo maior de anéis chamados Fede (do italiano 'mãos na fé' 'mãos na lealdade'), cujo design era o de duas mãos se tocando, simbolizando fé, comprometimento e verdade, e que remontam aos antigos romanos.
Conforme consta a tradição tecida, se o anel é usado na mão direita, com a coroa de cabeça para baixo (invertida) significa que a pessoa que o usa é descomprometida. Se usado ao contrário, significa algum comprometimento.
Se o Claddagh é usado na mão esquerda, com a coroa apontando em direção aos dedos das mãos, o coração dela é totalmente comprometido com alguém.

Sozinho(a) : mão direita ponta do coração sentido ponta dos dedos 
Namoro :  mão direita ponta do coração sentido do pulso 
Noivado :  mão esquerda ponta do coração sentido ponta dos dedos
Casado(a) : mão esquerda ponta do coração sentido do pulso.

É verdade que para muitos, nos dias de hoje, esse anel não tem nada demais, não passa de um bem contado conto de fadas; ou então, de uma bela jogada de marketing. Realmente, numa sociedade que limita os relacionamentos ao sexo, ao dinheiro, à consquista e ao prazer, esse símbolo não tem sentido algum. Mas apesar de tudo, o Claddagh está aí, permanecendo intacto ao decorrer do tempo, ostentando seu significado: amar nobremente alguém que você partilha laços de amizade, confiança e lealdade. Não é um amor romântico ou fantasia, é um amor genuíno e sincero.






Fontes:

http://osparadoxos.blogspot.com/2009/05/anel-de-claddagh.html

http://www.joiabr.com.br/artigos/nov06.html


(Imagens retiradas do site Google)


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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ange ou Démon - Givenchy

Ange ou Démon é um dos perfumes que mais aprecio. Meus sinceros parabéns a casa Givenchy por sua criação. Mas uma das coisas que mais me atrai nesse perfume é a arte que o envolve. Arte que se faz presente desde a lapidação de seu frasco em forma de gota de cristal;


Na sua descrição que é poesia PURA, que realmente nos induz a crer que esse perfume é especial, que é advindo da luz e do mistério:

"Fragrância floral oriental originada da luz e do mistério. Como centenas de gotas de cristal, suas múltiplas facetas refletem um mistério luminoso e brilhante, entre o sonho e o extremo refinamento.
As notas de cabeça representam a feminilidade cristalina, a aura radiante da presença da beleza. A combinação da laranja, o mandarim, o tomilho branco e o açafrão, são como um irresistível convite à sedução.As notas de coração representam a nobreza radiante. O poder carismático do lírio estimula a sensualidade da fragrância, com a suavidade da orquídea maxillaria e a aura misteriosa de ylang-ylang, que marcam a fragrância com uma personalidade apaixonante. As notas de base são um vício misterioso. Como em um encanto mágico, a aliança perfeita do cedro, palissandro, baunilha e Tonka Bean, cria-se uma voluptuosa harmonia."

Depois de ler essa prosa poética, a tendência é no MÍNIMO ter vontade de experimentá-lo. Mas não acaba por aqui, porque depois vem o anúncio, tão bem estruturado e em harmonia com sua proposta. O jogo de luzes, a tonalidade das cores; tudo dando unidade ao que Ange ou Démon quer transmitir. Um anúncio que carrega o arquétipo da mulher sensual, daquele tipo de mulher que é luz e sombra, suave e quente. .


E então, vem o VT: atmosfera de mistério, de consquista. Em meio a penumbra, ao comum, brota uma luz singular. A trilha sonoro de cadência intensa, marcada e sensual; ao fundo uma voz feminina sussurrando a questão: Ange ou démon?... Uma beleza intrigante: a suavidade e sedução em um só ser - anjo e demônio!



Arte! Arte que envolve o universo dos perfumes desde a criação de seu bouquet, até sua comunicação. Isso para mim é fantástico.


(Imagens retiradas do site Google)

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

The Lady of Shalott

The Lady of Shalott é um poema ou balada vitoriana, escrito pelo inglês Alfred Tennyson. O poema tem temática arturiana inspirado nas fontes medievais.
Lady of Shalott é Elaine de Astolat, dama que morre devido ao amor não correspondido por Lancelot.
Elaine também é conhecida como Elaine, a Branca, ou Elaine, a Fada. É filha de Bernand de Astolat, que certa feita organizou um torneio no qual rei Artur e seus cavaleiros se fizeram presentes. Nesse torneiro Elaine conhece Lancelot e por ele se apaixona. Esse mesmo incidente marca o fim da vida da Dama de Shalott, a donzela amaldiçoada, que morre de desgosto por não ser correspondida.
Elaine é o símbolo do amor intenso, daquele sentimento que é tão forte e sublime, desenfreado, que consome o coração. É a pureza e a fraqueza, é o sutil, o esmorecer. É preferível partir do que sobreviver em um mundo de ilusões ou em uma realidade fria e amargura.
Não importa o seu tear, não importa sua vida, a morte é sua única libertação.

The Lady of Shalott [Looking at Lancelot] - Waterhouse

Em outra estória, a qual figura o poema de Tennyson, Elaine vive sozinha em uma torre na ilha que se chama Shalott. Sobre ela paira uma maldição: ela não pode olhar diretamente para Camelot, onde ficaria o castelo e a corte do Rei Arthur, ou algo de mal lhe aconteceria. Pela proibição, ela deve enxergar tudo através de um espelho, sombras e reflexos. Ela cumpre sua sina até que, um dia, olhou diretamente o cavaleiro da corte do Rei Arthur, Lancelot, próximo de sua torre. Ao olhar para ele, seu espelho se quebrou e a maldição teve início. Ela deixa a torre, vestida de branco e desce o rio guiando um barco. Ela canta uma canção triste e morre aos poucos.

LADY OF SHALOTT

(Lord Tennyson)

I
Em ambos os lados por onde o rio se estende
Longos campos de cevada e centeio
Que vestem o descampado e tocam o céu
E através dos campos o caminho passa
Para demasiadas torres de Camelot
E a gente passa para cima e para baixo
Contemplando os lírios floridos
A redonda ilha alí em baixo
A ilha de Shalott

II
Branqueados salgueiros, faias trémulas
A aragem anoitece e treme
Através da onda que corre para sempre
Junto à ilha no rio caindo para Camelot
Com paredes cinzentas e quatro cinzentas torres
Abrangendo um espaço de flores
E a silenciosa ilha, o aposento
Da Sra. de Shalott

III
Apenas ceifeiros, ceifando cedo
Por entre a desafiadora cevada
Ouve-se a canção que ecoa do fundo do coração
Claramente serpenteando do rio
Descendo para as torres de Camelot
E ao luar o ceifeiro cansado
Atando as coisas nas elevadas montanhas
Ouvindo os sussurros de fada
A Sra. de Shalott

IV
Ali ela tece noite e dia
Um mágico tecido com cores alegres
Ela ouviu um sussurro dizendo
Uma maldição sobre ela, se ela ficar
Olhando em baixo na direcção de Camelot
Ela não sabe o que pode ser a maldição
E portanto continua tecendo firmemente
E ela tem outro pequeno cuidado
A Sra. de Shalott

V
E mexendo-se através de um claro espelho
Que todo o ano está na sua frente
Aparecem sombras do mundo
Ali ela vê de perto a imponente estrada
Sinuosa descendo para Camelot
E às vezes através do azul espelho
Cavaleiros vem montando dois a dois
Ela não tem leal e verdadeiro Cavaleiro
A Sra. de Shalott

VI
Mas no seu tecido ela ainda se delicia
Tecendo no espelho mágicas visões
Com frequência através das silenciosas noites
Um funeral com galardões e luzes
E música, vai para Camelot
Ou quando a lua estava suspensa
Vinham dois jovens amantes recém casados
Estou meio enferma de sombras, disse
A Sra. de Shalott

VII
Uma seta vinda dos beirais dos seus aposentos
Ele cavalgou entre os molhos de cevada
O sol veio ofuscando por entre as folhas
E brilhou sobre os desavergonhados iscos
Do arrojado Sir Lancelot
A noite cruzada de vermelho para sempre ajoelhada
A uma senhora e seu escudo
Que cintila no amarelo campo
Junto à longínqua Shalott

VIII
O seu amplo e claro cume brilha ao sol
Com o ventre polido e dilatado o seu cavalo de batalha segue caminho
Sob o seu capacete pendem
Negros como carvão os seus caracóis enquanto cavalga
Enquanto cavalgava descendo para Camelot
Do interior e desde o rio
Em relâmpago pelo espelho de cristal dentro
"Tirra Lirra" pelo rio
cantou Sir Lancelot

IX
Ela deixou o tecido, ela deixou o tear
Ela deu três passos no quarto
Ela viu a frescura dos nenúfares
Ela viu o capacete e a pluma
Ela olhou em baixo para Camelot
Voou para fora, o tecido e pairou ao largo
O espelho quebrou-se de um lado ao outro
"A maldição vem sobre mim" gritou
A Sra. de Shalott

X
O cansado e violento vento de leste
A pálida floresta em declínio
Em seu leito a corrente queixa-se
Do pesado e lento céu a chuva cai
Sobre as torres de Camelot
Ela desce e encontra um barco
Por baixo flutuava um salgueiro
Que rodou à passagem
Da Sra. de Shalott

XI
Desce o sombrio e vasto rio
Como um arrojado profeta em transe
Vendo todo o seu próprio infortúnio
Com um vítreo semblante
Ela olhou para Camelot
E ao fechar do dia
Ela perde o rumo e deita-se
A corrente levou-a para longe
À Sra. de Shalott

XII
Ouviu-se um cântico, piedoso, lamento
Cantado alto, cantado humildemente
Enquanto o seu sangue lentamente gelava
E os seus olhos escureciam completamente
Virando-se para Camelot e suas torres
Antes que chegasse a maré,
À primeira casa junto à margem,
Cantando a sua canção ela morreu
A Sra. de Shalott

XIII
Sob torres e varandas
Em muros de jardins e galerias
Uma reluzente forma pairou no ar por perto
Palidez inerte entre as altas casas
Silêncio em Camelot
Vieram em direcção ao molhe
Cavaleiros, burgueses, senhores e damas
E à volta da proa leram o seu nome
Da Sra. de Shalott

XIV
Quem é? E o que está aqui?
E no iluminado e próximo palácio
Extinguiu-se o som dos reais trompetes
E benzeram-se de medo
Todos os cavaleiros de Camelot
Mas Lancelot meditou pausadamente
Ele disse "ela tem um encantador rosto
Deus na sua misericórdia concedeu-lhe a graça,
The Lady of Shalott"



Na pintura de John  William Waterhouse há três velas que simbolizam as vidas que lhe restavam, duas já estão apagadas.




Atualmente, a cantora iralndesa Loreena McKennitt transformou o poema Lady of Shalott em canção.


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Português da Gente



Depois de participar de algumas aulas da disciplina de Conceitos Básicos de Linguística, aprendi a dar mais atenção ao assunto língua. Um ponto importante que muito foi debatido é a diferença entre fala e escrita... Pensando nisso, é que divido com vocês o texto abaixo, extraído do livro "O Português da Gente: a língua que estudamos e falamos". Trecho este, que segundo a professora Elisa "trata da variação na escrita, do uso de diferentes formas de expressão (técnica, formal, informal) de acordo com o gênero de texto. Aqui, gênero de texto está para situação comunicativa: a variação resulta de diferentes situações de uso da língua. Se é assim, a língua não é uma só, não é apenas A forma culta, há "formas cultas" ou diferentes manifestações escritas, dependendo do gênero do texto. Moral da história: até mesmo na língua escrita há variação, quem dirá na língua falada... É uma  informação que ajuda a desfazer a ideia monolítica de língua."

Os Gêneros

Todas essas observações convergem para um mesmo ponto: a ideia de que existe uma "gramática do falado", que não coincide com a "gramática do escrito". Essa é uma das principais descobertas feitas desde que se começou a explorar a variação diamésica das línguas, mas não é a única. Na variação diamésica podemos também enquadrar outro importante fator de variação da língua: o gênero discursivo. Conforme o gênero a que pertencem, os textos, sejam eles falados ou escritos, apresentam um vocabulário e uma gramática próprios.
Ao falar em gênero aqui, não estamos pensando em gênero literários, mas sim em tipos de textos que podem ser encontrados na vida de todos os dias, e que se caracterizam por ter determinadas funções  e por ter como autores e receptores indivíduos que compartilham interesses mais ou menos previsíveis. Perguntemo-nos, por exemplo: como é a língua de um discurso político? Como é a língua da burocracia? Como é a língua que se escreve nos jornais e nas grandes revistas de informação e entretenimento? Como são escritos os ensaios "científicos" (entre eles, as teses e dissertações ligadas aos graus acadêmicos e à carreira universitária)? Como se exprimem os usuários do e-mail e dos grupos de chat que surgiram depois do advento do computador? como são apresentadas as informações nas páginas da internet?
Não há necessidade de análises aprofundadas para perceber que esses diferentes gêneros têm uma tradição própria e utilizam uma linguagem fortemente marcada pela natureza do veículo adotado em sua transmissão.
[...]
Todos esses gêneros, além de ter marcas exteriores próprias, e de obedecer a convenções interpretativas próprias, fazem também um uso muito particular da língua, chegando às vezes a desenvolver uma sublíngua exclusiva.
A sublíngua de um gênero caracteriza-se normalmente não só pela frequência maior de certas palavras, reflexo de uma inevitável concentração em determinados temas, mas pode ser marcada também pela alta frequência de construções gramaticais que não seriam comuns em outros gêneros. De novo, estamos falando de coisas que pertecem à nossa experiência diária: talvez o leitor se lembre da primeira vez que precisou ler um boletim de ocorrência policial (e ficou pasmado em ver que seu carro não vinha na mão, mas  procedia pela mão de direção, ou que todo indivíduo de comportamento suspeito foi  imediatamente reclassificado como um elemento); ou talvez o leitor se lembre da primeira vez que precisou ler o manual que, segundo dizem, "orienta" o preenchimento da declaração do imposto de renda para pessoas físicas e achou que estava lendo um texto de língua estrangeira: são situações pelas quais muita gente já passou e que têm em comum uma sensação de estranhamento causada pela linguagem. Esse "choque" é o melhor sintoma de como é difícil lidar com a variação diamésica da língua.


Referência Bibliográfica

ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O Português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006, pg. 185)

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