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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

As flores de plástico não morrem


Foto: Amanda Gomes

O vinil é um meio de as pessoas se presentearem com músicas.
Aquele pedaço de papel cartão que mede 30cm x 30cm carrega artes gráficas desenvolvidas cuidadosamente, desde a capa até o encarte, os quais são finalizados através de um processo quase totalmente científico, não fosse a poesia que está intrínseca nas imagens impressas. O disco é como uma flor embrulhada, cujo papel estampa fotos, cores e nomes, mas também pode servir de base para muitas declarações (sejam elas de amor ou não).
No terceiro andar da Galeria Chaves, um dos prédios veteranos da Rua dos Andradas, situada no centro histórico de Porto Alegre, existe um espaço dedicado a esses objetos, cujo valor está presente não só em sua materialidade, mas também no conteúdo: as canções que pairam na imensidão do tempo. Para os amantes dos discos, tanto clássicos como obsoletos – que podem se tornar descoberta fabulosas –, visitar a Tamba Discos é como passear pela própria infância e juventude, ou mesmo desvendar épocas que não foram vividas. Na pequena sala, há milhares de álbuns, pendurados nas paredes e dispostos nas prateleiras, que já emocionaram muitas pessoas e estão prestes a emocionar o próximo comprador ou o seu destinatário. 

Foto: Amanda Gomes

A Tamba Discos possui diversos álbuns que marcaram décadas e gerações. Tristes ou alegres, algumas músicas têm o poder de acessar memórias e trazê-las à tona como um tufão, varrendo todos os pensamentos que encontram pela frente e ativando apenas uma cena, um gesto, um olhar, um sorriso, um sentimento, uma vontade. A música transgride as regras do tempo. Através de apenas uma nota, pode-se reconhecer o que foi a trilha sonora de uma história. Se o arranjo inicial pode remeter imediatamente ao todo que compõe a melodia responsável por embalar uma fase da vida, o refrão é capaz de deixar o coração em frangalhos e os olhos mareados, acelerando a pulsação e fazendo-nos mergulhar nas lembranças. 

“Desde criança eu tenho familiaridade com a música, os discos sempre estiveram à minha volta através da coleção que era do meu pai.” 

Michel Munhoz, de 37 anos, é bem mais do que o atendente da Tamba Discos que vende LPs e CDs novos e, em sua maior parte, usados. Ele é amante e profundo entendedor de música. Apaixonado por rock in roll, ele já fez parte de bandas do gênero e segue desenvolvendo trabalhos musicais em estúdio para diversos fins. Por isso, suas vidas pessoal e profissional são atreladas à música. “A música, além de fazer parte do meu trabalho aqui na loja, está presente nas atividades que desenvolvo fora daqui e que também geram parte da fonte do meu sustento”, destaca Munhoz. 

“Antes de trabalhar na Tamba Discos, eu já frequentava esse lugar há mais de 20 anos.” 

Há cinco anos, o musicista conduz o empreendimento que muito frequentou na juventude. Ele relata que, quando o dono da Tamba Discos estava precisando de alguém que conhecesse a loja e as sutilezas que ela possui para nela trabalhar, logo surgiu o interesse de Munhoz em ocupar vaga sugerida. “Isso era para ter durado cerca de seis meses, só para quebrar um galho, mas ainda estou aqui”, ele vibra. Enquanto seu colega de trabalho e proprietário do comércio vai em busca de vinis que possam ser revendidos por eles, Munhoz se preocupa em atender o público cativo do lugar e indicar os álbuns que se aproximam do gosto musical de cada um. “A faixa etária que costuma procurar nossos produtos vai dos 20 aos 80 anos, nosso público é muito variado”. Munhoz conta que, assim como a idade dos clientes, os gêneros musicais procurados por eles são abrangentes. Embora o forte da loja sejam os álbuns de rock in roll e pop, os discos de música clássica, Música Popular Brasileira (MPB), jazz e orquestras também são requisitados. 

Foto: Amanda Gomes
 
“O disco que mais me pedem é o Tropicália ou Panis et Circenses, mas faz tempo que ele não passa por aqui.” 

Gravado em estúdio, com composições e interpretações de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé; dos poetas José Carlos Capinam e Torquato Neto e do maestro Rogério Duprat, o disco Tropicália ou Panis et Circenses foi lançado em julho de 1968. Símbolo máximo do que significou o movimento tropicalista, idealizado musicalmente por Caetano e Gil, a obra sintetiza as angústias e ambições da geração que viveu o final dos anos 1960 e início da década de 1970. Munhoz diz que relíquias como essa são raras de se ver no mercado e, quando são encontradas, o preço é bastante alto (podendo ultrapassar R$ 100).

 “O disco que eu considero um verdadeiro patuá da loja é do Daminhão Experiência.”

O bilhete junto ao disco demonstra a admiração
do pessoal da loja por Daminhão, que é considerado por eles
o "pai" da música experimental.
Foto: Amanda Gomes

Munhoz relembra que várias pessoas já quiseram comprar o álbum, mas ele sempre fez questão de ressaltar que o disco não estava à venda. “Os conterrâneos do Daminhão Experiência (nascido no Rio de Janeiro), ou quem teve oportunidade de conhecer o trabalho dele, se virem o disco vão querer leva-lo”, decreta o musicista. “Um cliente carioca, que chegou a conhecer o Daminhão, veio aqui na Tamba e contou sobre a história do artista, super interessado em comprar o LP, mas eu não vendi não”, ele ressalta. De acordo com Munhoz, o próprio Daminhão teria gravado seu LP de modo artesanal em sua casa. “Se tu escutares esse disco, verás que ele tem muitas músicas experimentais”, alerta o atendente. Segundo ele, o mais curioso sobre Daminhão, que ainda é vivo, é que o artista começou a produzir seus próprios discos nos anos 1970, após se aposentar da Aeronáutica, e a tocar nas ruas de Botafogo. “Esse cara é uma lenda urbana do Rio de Janeiro”, exclama o musicista. 

“Em primeiro plano, o que é mais especial no vinil é a sua sonoridade.”

Para Munhoz, a sonoridade do vinil é única. “O som do LP é analógico, não é como um compact disc, cuja sonoridade é totalmente esterilizada e a reprodução parte de uma leitura binária. O vinil não, experimenta escutar a intensidade dos graves, a musculatura do som, a fricção do acetato da matéria vinílica”, ele pontua. O musicista fala ainda sobre a maneira adequada de se apreciar um vinil: “Como a agulha faz a reprodução do som pelo contato com o LP, através do sistema analógico, ela também capta sons externos, por isso o ambiente pode ajudar ou atrapalhar a escuta do ouvinte”. O método de gravação da voz e dos instrumentos das canções no plástico do disco é um processo físico. Os sons ficam guardados nas ranhuras pelas quais passeia a agulha. “O caminho que a agulha percorre não é linear, ela oscila, muda de nível, e o próprio vinil balança à medida que ele gira e faz a música tocar”, reflete Munhoz ao descrever um objeto atemporal. 

“Ler um encarte é como folhear um livro.” 

Conforme Munhoz, é isso que prende a atenção das pessoas e faz com que elas sintam necessidade de pegar o vinil na mão, examinar os detalhes das imagens, folhear o material, dar uma olhada na ficha técnica. É como ler um livro: ao manusear o disco a gente imagina as coisas, viaja ouvindo o álbum e, ao mesmo tempo, tem o contato com ele”. Ele conta que alguns discos chegam na loja em estado deplorável. “Nós fazemos um trabalho criterioso para receber LPs de boa qualidade. Não adianta o disco ser raro e seu estado de conservação estar péssimo”, ele pondera. 

Foto: Amanda Gomes

“Eu lembro de um disco do Zé Ramalho, que tinha uma dedicatória enorme dentro, com assinatura e data de 1978, mesmo ano de lançamento do LP.” 

Acompanhando o universo das trocas que uma loja de artigos usados promove há bastante tempo, Munhoz relembra algumas histórias curiosas de remetentes e destinatários que são eternizadas nas capas e nos encartes dos discos. “Quando fiz a leitura do texto, notei que a pessoa estava com o sentimento à flor da pele para dar aquele disco de presente, mas não percebi se ela queria desfazer o relacionamento ou reatar, porque o sentido das frases era dúbio”, narra ele. O musicista diz que já vendeu esse LP e que, quando o cliente se interessou pelo material, ele fez questão de mostrar a dedicatória, temeroso de que isso impedisse o negócio. “Daí o cara me disse: ‘Nossa! Eu vou levar esse disco, eu preciso levar esse disco’, e eu pensei: Poxa, que legal, ele leu e gostou”. Para o músico, a graça das dedicatórias é que elas são encontradas de surpresa. “Eu não separo os discos que têm dedicatória dos que não têm, e cada vez que a gente se depara com uma, a novidade é inevitável”.

 “O disco é a passagem do tempo.” 

Quando se está gravando e produzindo, desenvolve-se um trabalho de registro. De acordo com Munhoz, gravar um álbum é como fotografar: “O que é prensado e gravado no disco, vai estar ali eternizado”. Segundo ele, um LP possui uma durabilidade muito grande. O musicista afirma que as gravações de um CD, por exemplo, podem sumir em um período muito mais curto do que as de um disco de vinil. “O vinil tem essa atemporalidade”, reitera ele. Conforme Munhoz, ao fazer uma canção, o compositor pode tratar de um tema que deve ficar datado, como a ditadura militar no Brasil, ocorrida na década de 1960, por exemplo. “Tem vinis que possivelmente servem como objetos de pesquisa de determinada época, funcionando como um arquivo da cultura”, acrescenta ele. Quando pergunto sobre a música que traz boas lembranças aos próprios ouvidos do musicista, ele diz que essa pergunta, feita dentro de uma loja de discos, é difícil de ser respondida. Concordo com ele, mas insisto que certamente existe uma letra que marcou uma fase de sua vida. Então, Munhoz posiciona uma das mãos no queixo e começa a olhar para a parede repleta de capas, até que encontra o álbum Ocean Rain, da banda inglesa Echo and the Bunnymen, de 1984. 

Michel Munhoz com um dos seus discos favoritos.
Foto: Amanda Gomes


“Neste disco tem uma música que eu gosto muito e me lembra esta mesma loja há uns 20 anos, quando eu comecei a trabalhar nela e este disco estava exposto. Na época eu o comprei e ainda ouço.” 

Sete Mares (Seven Seas) 
Echo And The Bunnymen 

Apunhale um coração arrependido
Com o seu dedo favorito
Pinte o mundo inteiro de azul
E pare as suas lágrimas de remorso
Ouça o canto dos trogloditas
Boas notícias eles estão trazendo

Sete mares
Nadando-os tão bem
Contente de ver
A minha face entre eles
Beijando o casco da tartaruga

Um desejo
Por uma nova sensação
Pertencimento
Ou apenas ajoelhar-se eternamente
Onde está o sentido no roubo
Sem a graça de ser ele

Sete mares
Nadando-os tão bem
Contente de ver
A minha cara entre eles
Beijando o casco da tartaruga

Queimando minhas pontes
E destruindo meus espelhos
Voltando para ver se você é covarde
Queimando as bruxas com mãe religiosa
Você acenderá o fósforo e me banhará
Em jogos aquáticos
Lavando as rochas abaixo
Ensinado e amansado
A tempo com fluxo de lágrima

Sete mares
Nadando-os tão bem
Contente de ver
A minha cara entre eles
Beijando o casco da tartaruga

Sete mares
Nadando-os tão bem
Contente de ver
A minha cara entre eles
Beijando a tartaruga

Sete mares
Nadando-os tão bem
Contente de ver
A minha cara entre eles
Beijando o casco da tartaruga


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Evoé
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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Negação da própria identidade em Brejo da Cruz, de Chico Buarque


Chico Buarque de Holanda é um dos maiores nomes da canção popular brasileira. Cancionista reconhecido nacional e internacionalmente por sua excelência, ele alcançou esse patamar graças à sua formação intelectual e histórica. Filho do jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, cujas obras se tornaram peças-chave para a interpretação do Brasil, Chico teve acesso não só a livros de história, mas também a obras literárias e poéticas que influenciariam diretamente sua dicção sofisticada e formalidade poética, que seguem o modelo ritualístico das obras clássicas. Chico também teve o privilégio de conviver com musicistas e poetas, amigos de seu pai, do gabarito de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade. Além de seu olhar atento e da delicadeza de traduzir o que via, a convivência com tais sumidades do meio intelectual que pensavam, questionavam e tentavam traduzir o Brasil através de suas obras, influenciou o método de sua construção e a interpretação do país por meio de uma narrativa cancional singular e muito próxima da realidade da época.
Vale destacar o estranhamento de alguns leitores ao perceberem que o presente texto, ao se referir ao cantor e compositor, chama-lhe apenas pelo primeiro nome, e não pelo sobrenome, como é habitual em algumas culturas. Ocorre que, entre os brasileiros, essa formalidade se faz ausente. Sergio Buarque de Holanda, para tentar explicar esse fenômeno, criou a teoria do homem cordial, que admite a aversão brasileira à formalidades e a necessidade de criar laços com o próximo a fim de torna-lo íntimo. Para o autor, há certa negação do sobrenome, que dá lugar aos apelidos – usuais até mesmo para dirigir-se a celebridades, como o jogador de futebol “Pelé”.
O disco intitulado Chico Buarque, de 1984, contém a música Brejo da Cruz, uma de suas obras primas em relação à descrição do cotidiano carioca do morador do morro que desce para o centro todos os dias e mantém sua vida de constante exilado. De acordo com Chico, a feitura de suas canções alia letra e melodia, de modo que uma coisa está costurada e encontra sentido na outra.
Na referida canção, o ritmo é incessante. Com apenas dois tons: um mais agudo e outro mais grave, a harmonia os reveza e constrói uma sequência que lembra um movimento continuo, como marteladas ou a linha de uma fábrica. Em seguida, o que quebra a repetição é um som que remete a uma corda se arrebentando, algo que, aparentemente, acaba com a harmonia contínua. Esta, por sua vez, embora abafada pelo som estrondoso, volta a imperar na melodia emergindo – com efeito fade in – do som que a interrompeu. A melodia passa a ideia de retorno, a qual impossibilita qualquer escapatória. É impossível não vincular o ritmo com a letra e com o tema sobre o qual ela versa depois de ouvir a canção. A construção de Chico é instigante, porque tudo na sua música produz algum sentido, nada é em vão.
Segundo Luiz Tatit, o cancionista é um malabarista, pois equilibra a letra na melodia e vice-versa, e, assim, constrói sua gestualidade. Chico, ainda que aparente esforço na construção de sua letras, que seguem modelos de métrica e rima, não perde a fluidez do gesto, já que sua narrativa pode ser facilmente reconhecida e ganha sentido com a entoação e com a melodia. Ele é um cantautor, uma vez que estabelece que o compositor deve cantar suas canções para dar segmento ao gesto estético.
A letra de Brejo da Cruz, além da tensão que provoca fazendo o receptor reconhecer, imediatamente, a Zona Sul carioca e, posteriormente, qualquer centro do Brasil, provoca decantações em sua interpretação, que ganham forma de tristeza, agonia e certa angústia incapacidade de resolver os problemas alheios. E, para além do reconhecimento, a letra dessa canção também engendra a aflição de quem torna o que, em princípio, é exótico, em familiar. Chico parece construir o lugar dos favelados e, ao ouvir a canção, não é difícil aceitar isso. Ao começar entoando que: “a novidade que tem no Brejo da Cruz é a criançada se alimentar de luz”, o cancionista apresenta uma forma estética admirável – através da rima e dos versos métricos – que contrasta com a crueza dos versos que ele está dizendo. O mesmo acontece ao longo da canção, que tem caráter literário, visto que conta várias histórias que desencadeiam para o mesmo fim.

A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz
Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil
Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues
Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem
São jardineiros
Guardas-noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz
São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons
Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

Chico canta como quem observa os que personagens que ele descreve, como passageiros, guardas-noturnos, refere-se a “uma gente”, com distanciamento. Nota-se certo paternalismo em suas canções, na medida em que ele julga que é preciso dar voz à periferia, a qual, em princípio, teria capacidade de expressar-se sozinha. Atualmente, isso é condenável porque um dos movimentos mais ativos dos moradores do morro é lutar pelo seu espaço e afirmar cada vez mais a sua voz, que já pode ser ouvida em outros ambientes, não só na favela.
Se essa canção aborda, por um lado, a pobreza e os trabalhadores de rua que descem e sobem o morro e continuam com uma vida miserável, também trata da ascensão social dos favelados, “que se disfarçam tão bem” de “casais, passageiros, bombeiros e babás”. Esses cargos, na canção, representam a ascensão social de quem conseguiu sair da favela e a camuflagem favorável de se parecer com quem sempre morou no centro da cidade. Desse modo, Chico toca na ferida da sociedade, que procura ignorar os favelados e que eles mesmos, quando ascendem, também ignoram a miséria e a fome pela qual passaram.
O compositor evidencia a negação de identidade e a necessidade de esquecer o passado sofrido dos trabalhadores que descreve. A contradição do não reconhecimento da própria história e da tentativa de ignorar um passado que envergonha, explicita um tipo de preconceito tão estabelecido no Brasil, que não é só o julgamento alheio, mas o próprio julgamento que condena o passado pobre de quem ascendeu, como se não pudesse haver orgulho de passar da miséria para uma vida digna.

Amanda Gomes

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Evoé

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Deva Premal e Miten no Brasil


Deva Premal e Miten vem encantando o mundo com suas lindas vozes, cantando antigos e sagrados mantras, tocando almas e corações. Suas vozes têm ecoado por diversas partes do mundo, emocionando mais e mais as pessoas com seu trabalho. Deva Premal e Miten tem essa energia boa de através de sua música abrir o coração e a mente das pessoas para conhecerem e reconhecerem o sagrado poder dos mantras. No Facebook, a dupla possui uma página com muitos seguidores expressando sua admiração e gratidão. No Brasil, um grupo de fãs criou a página "Deva Premal e Miten no Brasil", com a finalidade de divulgar o trabalho deles por aqui. Confere aí e não esquece de curtir! :)



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terça-feira, 10 de junho de 2014

Oração

Para começar bem a semana, uma bênção musical desse artista maravilhoso, Ney Matogrosso!


ORAÇÃO

Peço aos céus para me proteger
E eu não hei de ceder
Ao vazio desses dias iguais
Mal em mim nunca há de fincar
Mel em mim nunca há de findar
Olhos nus e atento aos sinais
Faço fé pra poder ver
A vida há de ser sempre mais
Peço aos céus para me defender
De engolir o sofrer
Contato vir a ter jamais
Com o invisível que paira no ar
Dos que querem ver sangrar
Ilumine, e que sigam em paz
Faço fé pra poder ver
A vida há de ser sempre mais
Se acaso a peste
A tempestade trouxer
Que ao se aproximar de mim, suma
Que no seu lugar
Nunca demore a brotar
A celeste semente do amor
Envolto por espirais
Num manto de azul-lilás
Conserve meus bens vitais e calor
Cuide para crescer
E enfim florescer a flor de cristal
Sobre nossos quintais.




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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Show UAKTI . Beatles


UAKTI. Theatro São Pedro - Porto Alegre.

No fim de semana (29 e 30 de junho) Porto Alegre recebeu UAKTI no Theatro São Pedro.
O grupo brasileiro de música instrumental, formado por Marco Antônio Guimarães, Artur Andrés Ribeiro, Paulo Sérgio Santos e Décio Ramos. O UAKTI é conhecido por utilizar instrumentos musicais não convencionais, construídos pela equipe.
O trabalho Beatles é uma reinterpretação da música a partir dos tubos de PVC, cabaças, apitos e materiais inusitados, que proporcionam um som único e inusitado.
UAKTI - Beatles foi um show inesquecível, com um textura e sensorialidade musical indescritível. É o tipo de som que mexe com a gente, provocando inúmeras sensações e desafiando o ouvindo a adivinhar de onde exatamente se extrai aquela sonoridade tão peculiar.




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terça-feira, 9 de abril de 2013

Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense

Foto: Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense
 
"O Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense está nas ruas desde 2008. Mas nos reunimos para tocar bluegrass e matear desde 2007", conta Ricardo Sabadini, integrante da banda. Atualmente, o Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense é composto por Heine Wentz (violino), Marcio Petracco (bandolim), Ricardo Sabadini (violão) e José Baronio (contrabaixo).
Conforme Sabadini o Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense tem como objetivo "interagir com a cidade, levar a música bluegrass para as ruas, ocupar os espaços públicos e garantir o nosso café da manhã. É uma relação de reciprocidade: ao mesmo tempo em que apresentamos o nosso show ao ar livre para a população de Porto Alegre (que é onde mais nos apresentamos), nós passamos o chapéu e o público contribui com qualquer moedinha, a contribuição é voluntária e pode ser qualquer moedinha mesmo." Além disso, o grupo tem como proposta se apresentar como os pioneiros do bluegrass faziam em meados da década de quarenta:  utilizar apenas um único microfone, ao redor do qual os músicos se revezam para executar seus solos, tanto vocais quanto instrumentais.
Como o nome já indica, o grupo é influenciado pelo bluegrass music, gênero musical oriundo dos Estados Unidos que utiliza somente instrumentos acústicos (violino, bandolim, violão, contrabaixo acústico e banjo). "Bluegrass é o apelido do estado do Kentucky “The Bluegrass State” e é de lá que veio o grupo que deu nome ao estilo “Bill Monroe and His Blue Grass Boys”. Bill Monroe é considerado o pai da música bluegrass “the father of bluegrass”. Nosso repertório é exclusivamente de músicas desse gênero. As raízes dessa música remontam aos imigrantes irlandeses, escoceses e ingleses, fugidos da fome que passaram na Europa em meados do século XVIII. Eles colonizaram a região dos montes Apalaches, e junto com eles trouxeram sua cultura musical. O bluegrass também teve influência dos afro-americanos, que foram os responsáveis pela introdução do banjo nos Estados Unidos", conta Sabadini.

Foto: Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense.

No inverno de 2009 o Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense gravou seu primeiro disco no Studio Rock. São 14 faixas só de clássicos do gênero - temas instrumentais de origem irlandesa, de cunho religioso a cappella e música profana. Todas foram gravas em um único take (ou seja, não ocorreu sobreposição de instrumentos, recurso muito utilizado na música moderna). Na época, o contrabaixista era o Pedro Marini, que gravou todas as faixas do disco.
Por fim, Sabadini compartilha e convida:
"Costumamos nos apresentar aos domingos no Brique da Redenção, a partir das 10 horas da manhã, basta não chover. Também tocamos às sextas-feiras na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de PoA, mas não é sempre. Então, pra quem quiser seguir as nossas aventuras musicais pelas ruas, basta curtir nossa página no Facebook e nosso perfil no Twitter."





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quarta-feira, 13 de março de 2013

O Senhor dos Anéis - The Hobbit (ThePianoGuys)

Para os fãs de O Senhor do Anéis: performance maravilhosa do The Piano Guys, emoção à flor da pele e fotografia linda! Boa apreciação!





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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Silêncio Das Estrelas - Lenine

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais...
Afinal, como estrelas que brilham em paz, em paz...
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais...




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terça-feira, 17 de julho de 2012

A Barca


A Barca é um grupo de músicos paulistas que trabalha com a pesquisa e a movimentação da cultura popular e folclórica brasileira.  A Barca surgiu de uma reunião de amigos guiados por ideias como: viagem, música popular, Brasil e Mário de Andrade. Esses quatro elementos começaram a moldar e sustentar a essencia de A Barca, impulsionando o içar de suas velas e sua navegação pelo oceano da vida.
Realizando um amplo trabalho de criação de espetáculos, documentação, arte-educação e produção cultural, tendo como bases a reflexão sobre o fazer artístico e suas responsabilidades estéticas e sociais, A Barca, desde 1998, tem marcado presença nos cenários culturais brasileiros. Cada fragmento, cada matiz, cada sonoridade, cada traço das inúmeras manifestações populares e folclóricas do Brasil são traduzidos, transformados em canções, em arte, em memórias que ultrapassam as barreiras do tempo e mantem-se vivas.
A Barca já realizou centenas de espetáculo, oficinas e gravações pelo país. Produziu os CDs Turista Aprendiz (2000); Baião de Princesas (2002) - com a comunidade da Casa Fanti Ashanti - Maranhão; a caixa Trilha, Toada e Trupé (2006) - três CDs e um DVD documentário - resultado de uma grande viagem realizada em 2004/05 por 10 mil Km pelo Brasil, e a Coleção Turista Aprendiz (2007), sete CDs e sete curtas documentários com outros registros desta viagem. 
Os ventos guiam A Barca nesse oceano da vida, nas águas da cultura, nos deltas da arte. E A Barca navega, à canção das brisas, desperta com o amanhecer e se enche de estrelas quando vem a noite. Mas o que transporta A Barca? Um punhado de magia, mananciais do tempo, de memórias e de vidas.



Para saber mais, acesse:
http://www.barca.com.br/


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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Andrius Cruz: Sangue Novo nos Cenários da Música


"Toda minha vivência com o cenário urbano me fez desde muito cedo tentar transpor tudo isso, tudo o que eu gosto em poesias e melodias."

Músico, poeta e compositor, uma alma que transcende a arte. Olhos capazes de captar a beleza em todas as coisas que o rodeiam e transformar em canção. Esse é o porto alegrense Andrius Cruz, um dos mais novos nomes que despontam nos cenários da música do Rio Grande do Sul.
Apaixonado pela cidade natal, Andrius recolhe de cada paisagem, de cada rua, de momento vivido inspiração para seu trabalho. Tudo perfeitamente elaborado, alinhando uma mescla de vários estilos como MPB, nativista gaúcha, rock... E é claro que no meio dessa mistura toda tem muito da percepção de mundo de Andrius e sua relação com a arte. "Sempre respirei e transpirei música. E sempre a enxerguei como a mais poderosa ferramenta de comunicação sentimental", afirma o artista.
De um timbre singular, voz luminosa e jeito cativante, Andrius vem consquistando os palcos do Rio Grande do Sul, é sangue novo bombeando nos cenários da música.

"Para mim, é preciso se fazer arte de forma bem elaborada, mas principalmente não esquecer que a alma de todas as artes é e será sempre a simplicidade."



Gostou? Então, acesse:
http://andriuscruz.blogspot.com.br/


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sábado, 9 de junho de 2012

Jasmine Flower (茉莉花)-Chinese Traditional Music

O Oriente me encanta, fato! Mas confesso que nunca tinha dado a atenção merecida para a música tradicional chinesa. Há pouco tempo tive a oportunidade de apreciar toda beleza e luminosidade das composições desse país.
Jasmine Flower é uma das canções populares chinesas. Executada por Yu Hongme, Zhao Con, Chen Yue, Ji Wei, o talento delas abrilhanta a canção que faz a alma elevar-se, transportando-nos para uma gentil planície da China, cheia de cores, perfumes, nuances.





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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Talentoso, Original e Místico: Gustav Holst


Gustavus Theodor von Holst, conhecido como Gustav Holst, foi um renomado músico e compositor inglês. Por influências paterna, Holst era filho de um pianista de remota origem suéca, desde muito cedo adentrou no universo da música.
De um talento notável e grande originalidade, Holst era dono de um espírito curioso que o conduziu a interessar-se por diversos assuntos relacionados a civilizações orientais, literatura védica e misticismo.
Entusiasta de temas das ciências ocultas, ele chegou a confeccionar diversos mapas astrais para seus amigos. Holst acreditava em forças supra-humanas e tinha fascínio por religiões orientais, especialmente nas doutrinas do dharma e reencarnação. 
Sua principal obra, "Os Planetas", foi uma criação resultante dos seus estudos astrológicos e místicos. Não se trata de uma obra ortodoxa, sua estrutura não obedece aos padrões convencionais. É na verdade uma série de perfis sonoros dos planetas. Segundo o compositor, "Os planetas" é: "as sete influências do destino e componentes de nosso espírito."
"Os Planetas" constituem uma suíte em sete partes, cada uma corresponde a um planeta do Sistema Solar, exceto a Terra. Mas essa correspondência não tem uma relação com fatos astronômicos, mas com um sentido mais mitológico e astrológico.

OS PLANETAS:

Marte, O Portador da Guerra: é o primeiro movimento (a ordem não obedece rigorosamente a distância em relação ao Sol). A música tem um clima bélico e enérgico, é impulsiva, marcada por uma ferocidade. A face sombria, implacável de Marte produz sensação de medo. Coragem e poder são características do arquétipo desse planeta, todavia, quando desregrada gera violência, confronto, ira. 

Vênus, A Portadora da Paz: de andamento lento, o clima idílico é construído por um motivo inicial  em solo de trompa. É um contraste e uma resposta ao ímpeto de Marte. É de uma melodia evaporante, é possível sentir uma atmosfera feérica, irreal e onírica. 

Mercúrio, O Mensageiro Alado: é o terceiro movimento.  Trata-se de um scherzo, com sonoridades aéreas da flauta e da celesta. De textura alegre, a melodia carrega consigo a mensagem vinda de outros mundos. Mercúrio representa a consciência humana, o intelecto, a habilidade de nos comunicarmos e a busca pelo conhecimento.

Júpiter, O Portador da Alegria: É um tema retumbante, vibrante, animado entrelaçado com trechos solenes, hínicos e masjestosos. Esse movimento de "Os Planetas" tem uma estrutura que lembra a célebre Marcha Pompa e Circunstância nº 1, de Elgar. Representa o impulso para instrispecção a nível filosófico e religioso. É a "mente superior" no homem, não como razão pura, mas como sabedoria inata.

Saturno, O Portador da Velhice:
É o quinto movimento. Principia serenamente sombrio e apenas ao final retorna a paz e tranquilidade. Saturno na astrologia mostra onde podem ser encontrados os maiores desafios e onde podem ser aprendidas as lições mais desafiadoras.

Urano, O Mago: sensação de medo e mistério se diluem nesse movimento. O início da música expressa o impulso para ser único, surpreender. O grandioso tutti representa o que talvez seja a maior influência de Urano: o despertar da consciência. Urano é considerado o gênio criador, a independência, a originalidade.

Netuno, O Místico: é o sétimo e último movimento. Sublimemente poético, essa música é carregada de matizes e nuances de extrema suavidade e fluidez. Harmonias misteriosas e um coral de vozes femininas fazem parecer “música de outro mundo”. Essa obra representa os desígnios de Netuno: s influências não materiais, os sonhos, o espiritualismo.






Fontes:
http://www.gustavholst.info/
http://www.deldebbio.com.br/2011/07/22/gustav-holst-e-os-planetas-2/

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Entrevista Exclusiva com Douglas Dalla Costa - GRUPO VOZ



"Acho que o espírito da época em que éramos crianças  é o que faz o VOZ de hoje - a amizade, curiosidade, brincadeira, vontade de estar junto..." 

Amizade, curisidade, brincadeira, vontade de estar junto... em parte isso traduz a essência do Grupo VOZ. Mas conhecendo o trabalho dessas feras, atrevo-me a dizer que inspiração, amor, entrega e uma fina sensibilidade fazem parte também.
Nessa entrevista exclusiva com Douglas Dalla Costa (baterista do grupo), vamos conhecer um pouquinho mais, por traz dos bastidos, desses guris que compõe verdadeiras canções que transcendem...

Michelle: Quando começou o Grupo VOZ? Conte um pouco de sua história.

Douglas: Se levarmos em conta a parte mais romântica e inocente da coisa, eu me arriscaria a dizer que o VOZ começou a partir do momento em que os guris se encontraram todos juntos pela primeira vez. Acho que o espírito da época em que éramos crianças é o que faz o VOZ de hoje - a amizade, curiosidade, brincadeira, vontade de estar junto; coisas que gostamos de fazer quando somos crianças e que ainda fazemos hoje em dia. Mas, aterrissando um pouco, diria que como um projeto mais sério, já com o pensamento de “gente grande”, o VOZ surgiu a partir do ano de 2005, quando o Rodrigo, o Vinícius (integrante na época) e o Gustavo resolveram largar tudo o que faziam lá no sul, seus trabalhos e faculdades, e apostaram tudo nesse projeto. Gravaram um disco e em 2006 vieram pra São Paulo para começarem essa jornada.
A minha história no grupo acho que também começou em Santa Maria/RS. Eu já conhecia os guris há muito tempo, mas não fazíamos parte da mesma turma, eu era mais novo, mas até cheguei a tocar com eles nos primeiros shows daquele grupo de amigos que eles formavam na época... éramos uma banda de pagode! (risos)... tocar é mais uma forma de dizer que eu estava andando junto com eles, aí me deixavam ficar com um chocalho na mão. No ano que o grupo estava decidido a vir pra São Paulo/SP, foi quando comecei a me interessar pelo trabalho que eles estavam fazendo, acho que muito disso se deveu as letras das canções que eles escreviam. Eu estava numa fase de mudança pessoal e acabei me identificando com os assuntos da banda, o que começou a gerar uma aproximação, mas ainda em um nível mais sentimental. E foi aí que eles pegaram a estrada e acabei ficando meio sozinho, estava terminando minha faculdade e na época não achava que tinha motivos pra largar tudo e vir com eles, como disse antes, não éramos amigos. Passado esse primeiro ano que eles estavam aqui (em São Paulo), eu terminei meus estudos e decidi que no outro dia viria atrás deles pra ver “qual era”. Depois de vir pela terceira vez, pois não conseguia me decidir, acabei ficando de vez. Arrumei um emprego em uma Luthieria de violões e fiquei lá por uns quatro meses até que um dia “chutei o balde” e falei para os guris em uma reunião: “Não vim aqui pra trabalhar com outra coisa que não seja o VOZ”. Acho que eles se assustaram na hora, pois o grupo não tinha condições de sustentar um funcionário, mas disse pra eles que não era por dinheiro e sim pelo trabalho, lembro que até chorei na hora! (risos)
Como não teve outro jeito, acabamos ficando juntos e comecei a acompanhar o grupo por essas estradas, até que um dia estava tão dentro da coisa e quando menos percebi já estava dividindo o palco com eles.

Michelle: Quais foram às influências musicais que teve o Grupo VOZ?
Douglas: Acho que as influências do grupo foram diversas, diria que principalmente coisas com arranjos bem elaborados eram o que mais chamavam a atenção. Não saberia dizer precisamente nomes que influenciaram cada um, mas com certeza, foram do samba até a música clássica. Particularmente, me criei ouvindo meu pai escutar música sertaneja, música gaúcha, jovem guarda, sei lá, foram tantas coisas, até música boliviana (risos)... Já por conta própria fui para outro lado, minha primeira aquisição musical foi uma fita cassete do Rap Brasil, adorava aquilo, acho que até hoje sei cantar as músicas. Mas no geral, sempre tive uma queda para o lado do rock, mas também gostava muito das musicas gaúchas, ou algo mais da terra, como um Almir Sater por exemplo. Hoje em dia procuro ouvir de tudo, uma vez fiz uma pesquisa musical sobre os melhores álbuns brasileiros da história e descobri que esse era o caminho, tinha que estar aberto pra tudo. 
Michelle: Qual é o público do Grupo VOZ?
Douglas: Sempre nos perguntamos isso e nunca foi fácil chegar a uma resposta. Depois de ter rodado esse Brasil, ficou ainda mais difícil saber isso. Pessoas jovens, crianças, adultos, os mais velhos, todos sempre chegam pra falar com a gente, elogiando o trabalho sempre com muito carinho e respeito. Mas, eu arriscaria um palpite pra não ficar em cima do muro, acho que é bem dividido entre mulheres e homens e que a maioria estaria numa grande faixa dos 18 aos 45 e independe de classe social.

Michelle: Quando vocês estão em um palco, como se sentem?
Douglas: Sempre muito feliz com esse o momento, sempre procuramos fazer o melhor em qualquer tarefa que temos pra realizar, mas ali no palco temos que dar o máximo o tempo todo, é o momento onde há uma troca de energia muito mais direta com o público, estamos ali olho no olho, fazemos parte de uma mesma coisa. É difícil descrever exatamente, com certeza existe ansiedade, aquele friozinho na barriga, mas quando começamos a primeira nota do show parece que tudo se transforma. É muito especial estar ao lado dos meus amigos ali em cima do palco, hé uma conexão e uma cumplicidade muito grande, um tem que fazer parte do outro. O tempo não parece que tem a mesma relação de um dia normal, tem horas que estamos ligados em todos os detalhes, como se o tempo fosse mais devagar, mas ao mesmo tempo, quando vê já terminou tudo e estamos abraçados no final.


Michelle: Novos projetos?
Douglas: Sim, diria que sempre... Acho que esse é o caminho. Atualmente estamos fazendo novas gravações no nosso estúdio e pretendemos lançar alguns vídeos dessas gravações. Também temos um segundo disco pra lançar em breve. Mas o VOZ é assim, cada dia é um novo projeto.

Michelle: Uma mensagem final aos nossos leitores...
Douglas: Primeiramente, gostaria de agradecer a todas as pessoas que estão sempre acompanhando e incentivando o Grupo VOZ, dando a força necessária para nos levantarmos todos os dias e continuarmos nessa estrada sempre com muita alegria. E também dizer que devemos prestar mais a atenção em nós mesmos, nos descobrir mais a cada dia, porque como pessoas, somos um mundo incrível e infinito a ser explorado. E que todos conheçam a sua própria VOZ. Um grande abraço!





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