quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sarau Gente de Palavra 35

Buenas, estou atrasada... fato!
Muitas coisas aconteceram, é verdade: nova vida, outro país, nova universidade. Mas só porque o tempo passou e as coisas mudaram, não significa que deixei momentos importantes perdidos na memória... Não poderia deixar de agradecer e de expressar minha alegria com relação ao Sarau Gente de Palavra 35, que fui a poeta homenageada!
Vou guardar esse momento no coração e toda vez que sentir saudade, vou acessar a lembrança desse sarau que foi muito especial. Não só porque tive a honra e a felicidade de ser a homenageada dessa edição, desse projeto que tenho maior admiração e que a Michelle Hernandes e o Renato de Mattos Motta fazem acontecer (uma dupla incrível, aliás), mas também porque foi minha despedida e pude estar pela última vez no ano de 2015 ao lado de gente que é pura poesia e muito amor.
Até 2016 meus amigos e poetas queridos!

 
Fotografia: Gente de Palavra

Fotografia: Neli Germano




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Evoé
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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ah no meu tempo.

No meu tempo a gente se falava pelo celular com todo mundo, inclusive se morássemos juntos
No meu tempo vídeo games de 4 mil reais eram mais importantes do que as pessoas que passavam fome
No meu tempo os carros dormiam sob um teto e as pessoas passavam frio
No meu tempo nós não brincávamos na rua, brincávamos dentro de casa
No meu tempo policial era muito mal pago, portanto não tinha segurança para andarmos na rua
No meu tempo não importava muito a saúde, bom mesmo era comer salgadinhos
No meu tempo a gente não sabia cozinhar, a gente esquentava no micro-ondas
No meu tempo aqueles que se exercitavam, não faziam por saúde e sim por vaidade,
No meu tempo a gente se conhecia através de um aplicativo e ia para a cama no mesmo dia
No meu tempo a gente preferia fazer sexo pela web cam, para não sair de casa
No meu tempo a gente não saía para ir no cinema, víamos filmes no Netflix
No meu tempo eu sabia o endereço de email e não da casa das pessoas
No meu tempo ler mais do que 140 caracteres era muito difícil
No meu tempo todos podíamos ter opinião e liberdade para sermos quem quisermos, mas mesmo assim alguns apanhavam com lâmpadas nas ruas
No meu tempo a gente não tinha tempo para nada, mas perdia muito tempo em redes sociais
No meu tempo eu podia falar com pessoas de todo o Planeta, mas não significa que no meu tempo, havia humanidade...
 
(Gabriel Silveira)

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sal, topázio e mercúrio, de Michelle C. Buss

Se fosse possível tematizar um livro de poemas, diria, sendo inevitavelmente vago e reticente, que Sal, topázio e mercúrio trata dos muitos aspectos que o olhar do poeta elege como primeiro plano. O olhar do vidente que transforma em imagem e ritmo as vivências orgânicas ou que é capaz de somatizar o turbilhão imaginativo; capacidades que fazem do poeta um pequeno deus, como escreveu Huidobro. Essa mistura de elementos já aparece representada no próprio título. Entretanto, podemos, também, usar a metáfora dos corpos – vegetais, animais – em que os diferentes órgãos com suas diferentes funções formam uma unidade assustadoramente harmônica. Seguindo esse raciocínio: este livro é um corpo pulsante.
Sal, topázio e mercúrio assimilou um muito da estética das ruas e estradas. Tanto do andar do sujeito no mundo de concreto, ferro e gente só, quanto do andar deste mesmo sujeito na dimensão dos astros, sonhos e sentimentos: três velhos moradores do estro da autora.
É impossível chegar ao último verso sem tocar, mesmo que ligeiramente, os caminhos da consciência, tipo quem contempla entre os dedos a terra onde anda pisando. Da mesma forma, acredito que este livro seja produto de uma erosão interna operada pelo passar dos dias; aqui uma senda mais densa do que aquela pela qual passamos ao ler o Mosaicos, primeiro livro da Michelle. O motivo é que a boa poesia se reinventa conforme os tempos mudam (me refiro ao tempo pelo olhar do poeta, que nem sempre – na verdade quase nunca – segue a lógica do tempo convencional).
Na leitura dos poemas, adianto que nenhuma palavra será alçada aos grandes pensamentos, descobrimentos e inovações. Sal, topázio e mercúrio é a forma mestiça dos sentimentos de todos. A imagem dos nossos pequenos infinitos. Às vezes, cravejados por refrãos, figurando epifanias diárias de todas as épocas como o verso “amanhã não chega nunca”, outras vezes o acontecer paralelo aos fatos, um acontecimento que não vê a luz do mundo a não ser através dos olhos da poesia, tipo o diálogo com um “você” que talvez nunca responda, de fato, à pergunta: “E agora amor?”, mas que assim mesmo entra num espaço sem-tempo por ter sido transformado pelas mãos da imaginação.
Um mundo íntimo desenhado por palavras transparece. O papel é apenas o veículo da poesia. A poesia de Sal, topázio e mercúrio é boa de se tocar e causa identidade imediata porque nós já a sentimos. Ela foi dita, aqui, da forma como é sentida.

A imagem da capa já está disponível (aquela lá no início do post) e o livro já se encontra no catálogo da Editora Patuá em pré-venda (entrega após o lançamento que ocorre agora em agosto).

Um dos poemas de Sal, topázio e mercúrio:

Quase verão
e o amor não veio.
Passei a noite em sonhos tortos
sentindo um frio solidão.
Nenhuma flor morreu
mas também nenhuma se abriu.
Deve ser mau tempo
ou algum inferno astrológico
que tenha espantado o amor...
Mas já não chove muito
e a lua já é mais cheia
e fantasmas de um passado
já não passam para tomar um chá.
Eu fico aqui contando estrelas,
constelando desejos,
diluindo horas de sono
enquanto me pergunto:
onde está você que ainda não veio?



Texto de Silvério Bittencourt.



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Evoé
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Hipocrisia

- Maconha, cocaína, crack, hoje vocês jovens só sabem se drogar! – diz a senhora
- Verdade vó. Comprei e deixei o prozac e o rivotril sobre a mesa. Não esquece de tomar tá?

(Gabriel Silveira)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Saia Justa

 Andando juntos rindo
- Vocês formam um lindo casal – bajula uma senhora.
- Não... Não somos um cas.. – Interrompe quando ela pega na mão dele
- Muito obrigado! Eu o amo!
Aproveitar as oportunidades era uma especialidade dela.

(Gabriel Silveira)