quarta-feira, 26 de março de 2014

Ikiru (Viver), de Kurosawa


 Ikiru é um filme japonês de 1952 escrito e dirigido pelo grande cineasta Akira Kurosawa. Takashi Shimura interpreta Kanji Watanabe, um idoso que passou sua vida como um servidor público exemplar e que agora, ao descobrir um câncer no estômago, busca o real significado de sua existência. O filme é um poderoso questionamento sobre o desperdício da vida, com cenas inesquecíveis e interpretações marcantes. Narrado em duas partes, Ikiru mostra os conflitos do protagonista no presente através de uma série de retrospectivas de sua vida. É um filme sobre a desilusão e desumanização dos nossos dias (atualíssimo). É um poema em preto e branco.
Aqui o trailer, pra quem quiser conferir:



quinta-feira, 20 de março de 2014

LiBai

Seu LiBai morava tão na esquina ali de casa
que de tanto tanto tanto olhar a esquina e ver seu LiBai
pra mim esquina era anagrama de LiBai.
Saí numa manhã com o sol amornado de azul, cumprimentei seu LiBai
e foi a esquina que respondeu,
o seu LiBai de antes ficou estendido no sol, fazendo silêncio
e deixando que uma nuvem tapasse o silêncio
e depois destapasse outra vez.
Me disseram que o seu LiBai de antes saiu dizendo que agora que tinha perna
nunca mais queria ser esquina, queria agora
era ser estrada, uma estradinha de chão
onde desse pra ouvir um mar, um cusco e o andar das estações
antes delas entrar na cidade.
Sempre foi meio louco ele.

(Silvério Bittencourt)

Mais em: http://largentatus.blogspot.com.br/


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Tonari no Totoro


Meu vizinho Totoro ou Tonari no Totoro  (となりのトトロ) é um filme de animação japonesa, que tem direção e roteiro de  Hayao Miyazaki.
As irmãs Mei e Satsuki se mudam com o pai para o interior do Japão, com o objetivo de ficar próximo da mãe que está internada em um hospital. Na sua nova casa, as garotas viverão muitas aventuras ao lado de Totoro, espírito protetor da floresta.
O filme é mágico e lindo, transporta o espectador para conhecer um pouco mais do imaginário japonês. Totoro, chama-se na verdade Torōru (que vem do inglês, "troll"), porém, a pequena Mei não consegue pronunciar este nome, chamando-o assim de Totoro.
Hayao Miyazaki é também diretor e roteirista do filme, Princesa Mononoke. Seus filmes tem como temas recorrentes a relação da humanidade com a natureza e a tecnologia, e a dificuldade em manter uma ética pacifista.


 


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segunda-feira, 17 de março de 2014

Homero



Homero é uma incógnita. Teria vivido provavelmente no século VIII a.C. Autor dos dois épicos — primordiais na literatura — Ilíada e Odisseia.
Tudo o que se sabe sobre ele é suposição, até mesmo sua existência. Alguns estudiosos afirmam que Homero foram vários poetas que se apoiaram na tradição oral para narrar as lendas heroicas da época (pois suas obras só foram escritas mais ou menos 200 anos após sua composição, até então foram registradas e repassadas apenas pela memória e pela palavra cantada na companhia de um instrumento). Uma coisa, porém, é certa: as duas principais obras atribuídas a ele são ricos, fundamentais, curiosos e poéticos registros da Grécia Antiga, sua mitologia, comportamento, sociedade etc.
Na Ilíada (primeira das duas epopeias, ponto em que há maior concordância entre estudiosos), Homero conta a tragédia de Aquiles, herói grego da guerra de Troia (que talvez tenha acontecido, talvez não) que se retira da batalha por um desentendimento com um aliado, mas acaba voltando para vingar a morte de seu escudeiro pelas mãos do inimigo. O poema narra um período de pouco mais de 50 dias da guerra e suas páginas cheiram a sangue e poeira de batalha. 
A Odisseia é continuação da Ilíada e narra o retorno de Odisseu (ou Ulisses, na mitologia romana) para sua terra natal, Ítaca, depois de ter lutado na guerra de Troia por dez anos. Ele enfrenta duras dificuldades até chegar à sua casa e livrar sua esposa, Penélope, dos Pretendentes que a atormentavam para que escolhesse um entre eles para esposo (já que se acreditava que Odisseu estava morto e a tradição dizia que a viúva deveria escolher outro marido).
Ambas as narrativas são muito sofisticadas e acabam nos levando para conhecer outros lugares e épocas; lugares e épocas regidos por deuses. Seja lá quando, onde ou quem foi, Homero criou um mundo paralelo vivo.



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domingo, 16 de março de 2014

Não sei bem o que me acontece

Não sei bem o que me acontece.
Talvez porque a vida daqui é diferente da Capital... porque aqui o silêncio tem um compasso maior, porque tudo se demora um pouco mais, sem aquela pressa faminta ou aquelas luzes loucas. Talvez o tempo daqui caminhe em um quadrante diferente. Aí me obrigo a me refazer, a respirar...
Aí acho minutos que julgava inexistentes e simplesmente me deixo observar.
Aqui é tudo tão pequeno, mas tão cheio de verde e céu azul, tudo tão mais “ei, olha que lindo aquele mimo-de-vênus”. Só que apesar de o tempo se demorar mais, as pessoas continuam com pressa. Ficam olhando só para si e alimentando imagens e identidades que não existem e não são.
O gesto das pessoas, os olhos das pessoas, tudo transpira uma sede de ter. “Onde fica o ser nisso tudo?”, pergunto.
Será que essas pessoas não percebem que correm em círculos e que fazem a vida se resumir em dormir, acordar e acumular.
Acumular dinheiro, segurança, status.
Nunca ouvi alguém falar na busca interior e poucos parecem conhecer a sabedoria ancestral ou prestam atenção a sabedoria do viver. Tudo é tão mecanicista!
A beleza não passa de uma máscara maquiada. Ninguém parou para celebrar a própria beleza, o que se é...
Essa gente nunca se pergunta a razão de viver?
Nunca se pergunta sobre o depois ou o que realmente se é?
Tudo se resume em matéria que apodrece e vira pó. Até os santos não passam de estátuas e a fé é mais uma forma de escape: “deixa que Deus resolva! Foi Deus quem quis assim”.
Eu me assusto com esse vazio...
Na Capital tudo isso também existe. Só que falta silêncio para perceber essa realidade.
A vida não passa só lá fora, ela pulsa aqui dentro.
Quem não conhece a si mesmo, não reconhece o outro.
Não é filosofia de livros, mas a filosofia própria que surge a cada vez que fechamos olhos para o mundo externo e abrimos para o interno.
É tanta gente que escolhe se acorrentar a padrões.
Fico assustada...
Mas isso deve fazer parte de um fluxo maior... cada qual no seu lugar e caminhada.
No fim, sou grata a essas pessoas que me fazem perceber que a fronteira de si mesmo é muito tênue com a de imagens-desejo.
Certo, certo... paro por aqui. É muito filosofismo e divagações.
No fim, é melhor viver e por hoje chega de escrita.

(Michelle C. Buss)


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